Apoio à Ciência é Tarefa do Governo Federal1

Presidentes de 16 grandes empresas norte-americanas redigiram o abaixo- assinados” que segue e o publicaram na imprensa. O texto defende que o fomento à pesquisa científica e tecnológica é função indissociável das tarefas do governo federal.

Eles afimam que a liderança tecnológica do país - resultado da parceria entre Universidade, governo e iniciativa privada - proporcionou desenvolvimento econômico e bem-estar social.

Tradução de Reinaldo Guimarães

“ Imagine a vida sem vacinas contra a pólio e marcapassos cardíacos. Sem computadores. Sem sistemas de purificação de água. Sem previsão de tempo por satélite. Sem terapias avançadas contra o câncer.

Sabemos que esses e outros milhares de avanços tecnológicos fizeram a sociedade americana a mais avançada da história. Eles tornaram nossa economia mais competitiva, criaram milhões de empregos e elevaram nosso padrão de vida. Melhoraram grandemente nossa saúde e estenderam nossa expectativa de vida. Em um sentido muito real, eles epitomizaram o ‘ Sonho Americano’.

Esses avanços são o produto de parceria de longa duração que, constituindo uma política nacional, levou à descoberta e ao desenvolvimento de novas tecnologias. Por muitos anos, governos de ambos os partidos, trabalhando com o Congresso, apoiaram consistentemente programas de pesquisa universitária como vital para o futuro de nosso país. A indústria desempenhou papel igualmente crítico, conduzindo essas novas tecnologias ao mercado.

Essa parceria envolvendo a capacidade instalada científica e educacional da Universidade americana, o apoio financeiro do governo federal e as atividades de desenvolvimento na indústria tem sido fator crucial na manutenção da liderança tecnológica da nação ao longo da maior parte do século 20.

Infelizmente, hoje a liderança tecnológica está gravemente ameaçada. Na medida em que o governo federal diminui suas despesas, ocorrem pressões para serem cortados os recursos para a pesquisa universitária crítica.

A pesquisa universitária é alvo tentador. Muitas pessoas não conhecem o papel decisivo que ela desempenha. Podem se passar anos de intenso trabalho de pesquisa antes que uma tecnologia atinja o mercado. A história tem mostrado que é a pesquisa apoiada pelo governo federal que fornece o capital verdadeiramente paciente, para realizar pesquisa básica e criar o ambiente necessário ao processo de assumir riscos, essencial à descoberta tecnológica.

Hoje nós, abaixo assinados, executivos de algumas das companhias americanas líderes em tecnologia, acreditamos que nosso futuro econômico e o bem estar social podem estar ameaçados. Podemos atestar pessoalmente que grandes e pequenas companhias na América, todas, dependem de dois produtos de nossas Universidades de Pesquisa: novas tecnologias e cientistas e engenheiros bem preperados.

Por todas essas razões, é essencial que o governo federal continue seu papel tradicional no ambiente universitário como financiador de pesquisa básica e aplicada. Se nós quisermos manter o ‘Sonho Americano’ intacto, necessitamos preservar a parceria que o tem sustentado por esse tempo. Na medida em que chegamos aos anos finais do século, é preciso reconhecer que estamos vivendo um momento de verdade.

Continuaremos a nutrir esse ambiente de inovação muito especial que fez do século 20 o ‘Século Americano’? Ou seguiremos outras civilizações e deixaremos nossa liderança para nações mais corajosas e confiantes? Na hora em que o Congresso decidir sobre a pesquisa universitária, não poderá haver dúvida: nós estamos determinando, hoje, o século 21.”

W. Wayne Allen ( Phillips Petroleum), George Fisher (Eastman Kodak), Gerald Greenwald (United Airlines), Randall Tobias (Eli Lilly), Norman Augustine (Lockheed Martin), Robert Galvin ( Motorola), George Heilmeier (Bellcore), Roy Vagelos (Merck), John Clendenin (BellSouth), Louis Gestner Jr.(IBM), Jerry Runkins (Texas Instruments), John Welch (General Electric), Robert Eaton ( Chrysler), Joseph Gorman (TRW), John Macdonnell (MacDonnell Douglas), Edgard Woolard (DuPont de Nemours).

Reinaldo Guimarães, Professor do Instituto de Medicina Social - IMS/UERJ -, é o atual Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da UERJ.

Texto extraído do Boletim Informativo da S.B.F., No. 1, Setembro 1996