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CNMAC 2025 conecta pesquisa, indústria e novas gerações

Na FGV EMAp, maior congresso de Matemática Aplicada e Computacional da América Latina reuniu  mais de 500 participantes com programação diversa e interação com o setor produtivo

44º CNMAC, realizado na FGV EMAp, foi considerado um sucesso por organizadores e participantes do evento no Rio de Janeiro | Foto: João Arenhart/ Reach Assessoria de Comunicação

Com a proposta de aproximar diferentes gerações de pesquisadores, estimular novas parcerias e oferecer um espaço aberto de discussão, o Rio de Janeiro recebeu, entre 15 e 19 de setembro, a 44ª edição do Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional (CNMAC). Promovido pela Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) e realizado na Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp), o encontro reuniu cerca de  550 participantes, consolidando-se como o maior congresso da área no Brasil e na América Latina. Ao todo, foram 346 trabalhos apresentados, distribuídos nas 14 sessões técnicas do evento.

Com uma programação diversificada, o CNMAC 2025 destacou temas como a inteligência artificial, ciência de dados e desafios climáticos. 

“Fazer avanços na ciência de dados é um grande desafio, e a gente está aprendendo junto com o mundo todo. Muitos dos nossos pesquisadores mais jovens trazem esse know-how, e isso é fundamental para incorporarmos novas perspectivas à SBMAC e à Matemática Aplicada no Brasil”, afirma Carlos Hoppen, Presidente da SBMAC e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Carlos Hoppen, Presidente da SBMAC, ressaltou o retorno do CNMAC 2025 ao Rio de Janeiro  | Foto: João Arenhart/ Reach Assessoria de Comunicação

Um ponto alto do evento foi a presença de empresas, trazendo a perspectiva da Matemática Aplicada para além dos muros da universidade. Andressa Meireles, da seguradora Zurich Resilience Solutions,  destacou o impacto das mudanças climáticas no setor. “Não queremos ser apenas reconhecidos por pagar sinistros, mas também por ajudar os clientes a mitigar riscos e evitar perdas maiores”, afirmou a diretora de Engenharia de Riscos da Zurich para a América Latina.

“Estar em contato com a universidade é fundamental, porque nos permite atrair os melhores talentos para trabalhar conosco”, afirma Andressa Meireles, da Zurich Resilience Solutions | Foto: João Arenhart/ Reach Assessoria de Comunicação

Ela defendeu ainda a importância de aproximar o setor produtivo da pesquisa acadêmica, especialmente diante de desafios globais como a sustentabilidade. “Não é uma luta que a gente vai ganhar sozinho. Temos que atuar com governo e academia, juntar conhecimentos e co-criar soluções. Além disso, o setor precisa muito de profissionais em Matemática, Estatística e Atuária, mas há escassez no mercado. Estar em contato com a universidade é fundamental, porque nos permite mostrar nossa proposta de valor e atrair os melhores talentos para trabalhar conosco”, concluiu Andressa.

Estudantes e internacionalização

A dimensão internacional do CNMAC 2025 apareceu nas apresentações de professores e estudantes estrangeiros. A argentina Maria Laura Schuverdt, doutora pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), participou pela primeira vez do evento, apresentando pesquisas em otimização, área voltada a encontrar soluções ideais para problemas complexos. “Trabalhamos, por exemplo, com problemas de posicionamento de antenas em edifícios, buscando minimizar a quantidade de cabos necessários para conectar diferentes pontos. São situações que exigem algoritmos numéricos e processos interativos que um computador pode resolver”, explicou a pesquisadora.

Para ela, participar do CNMAC ampliou horizontes e aproximou sua trajetória da comunidade científica brasileira. “É importante ter esses tipos de eventos para mostrar como a Matemática Aplicada pode gerar impacto, seja na indústria, seja em outras áreas. E é também um espaço de aprendizado para os alunos, que podem ver de perto como seu trabalho se conecta a questões práticas”, destacou Maria Laura.

A pesquisadora argentina Maria Laura Schuverdt participou pela primeira vez de um CNMAC e ressaltou a importância do intercâmbio entre pesquisadores de diferentes regiões | Foto: João Arenhart/ Reach Assessoria de Comunicação

Por outro lado, o professor Nathan Kutz, da University of Washington, nos Estados Unidos, mostrou como métodos de aprendizado de máquina podem acelerar descobertas científicas em problemas complexos de ciência e engenharia. 

Apaixonado por Fórmula 1 e fã de Ayrton Senna, Kutz usou exemplos da categoria para ilustrar como é possível modelar fenômenos físicos de forma mais simples e eficiente. “Pouquíssimas pessoas conseguem simular o fluxo aerodinâmico de um carro de Fórmula 1, porque exige enorme capacidade computacional. O aprendizado de máquina permite criar modelos mais leves que ainda capturam a essência da física e ajudam a projetar carros mais rápidos”, explicou o professor.

Nathan Kutz, da University of Washington, mostrou como métodos de aprendizado de máquina podem acelerar descobertas científicas | Foto: João Arenhart/ Reach Assessoria de Comunicação

Kutz ressaltou a importância de eventos como CNMAC, que promovem a interação entre pessoas e instituições. “Conheço muitas pessoas aqui que trabalham em instituições brasileiras, no Rio, em São Paulo, no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e têm grandes ideias. A ciência moderna é impulsionada por esse tipo de troca, e o CNMAC cria exatamente a estrutura necessária para levar a matemática aplicada a um novo patamar”, completou o palestrante.

Jovens talentos e premiações

O CNMAC 2025 também foi espaço de reconhecimento a jovens pesquisadores. A doutora Tatiana Danelon, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), recebeu o Prêmio Marco Antônio Raupp, da SBMAC, por sua pesquisa sobre escoamento de espumas em meios porosos. Feito em parceria com a empresa Shell, o estudo tem potencial para otimizar processos no pré-sal. “A ideia é frear o deslocamento do gás e obter um escoamento mais controlado, empurrando o óleo como um pistão. Minha parte, que envolve espuma com nanopartículas, olha ainda mais para o futuro, buscando prolongar a estabilidade do processo”, explicou a mineira. 

Para Tatiana, participar do congresso foi uma oportunidade de dar visibilidade a um trabalho específico, mas com grande impacto potencial. “Pesquisa é difícil de popularizar. Toda oportunidade que eu tenho de falar sobre o que faço é importante, porque permite mostrar que há ciência aplicada acontecendo, mesmo quando não estamos nos grandes centros”, afirmou.

Equidade e inclusão: o papel do Comitê de Mulheres e o CNMACquinho

Um dos diferenciais do CNMAC é o esforço constante em tornar o evento mais inclusivo. Desde 2018, o Comitê de Mulheres em Matemática Aplicada e Computacional da SBMAC tem desempenhado papel central nessa missão, organizando ações e incentivando a presença feminina nas atividades. 

Para Mirela Vanina de Mello, coordenadora do Comitê, iniciativas como o CNMACquinho têm impacto direto. “Eu pude fazer minha apresentação com tranquilidade, porque sabia que minha filha (Ayra) estava em segurança e se divertindo também”, relatou a docente da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), em Ilhéus (BA).

Ela lembrou que o Comitê tem promovido avanços significativos, como a criação de um espaço de rede que já reúne mais de 150 pesquisadoras. “Além da pesquisa, também apoiamos atividades voltadas ao ensino básico, o que mostra como a SBMAC tem dado suporte a ações de inclusão em várias frentes”, destacou Mirela.

CNMACquinho atraiu dezenas de crianças e permitiu uma experiência lúdica com a ciência | Foto: João Arenhart/Reach Assessoria de Comunicação

A importância do CNMACquinho ficou evidente no entusiasmo demonstrado pela pequena Ayra Vanina Malvezzi Lopes, de 8 anos, que participou do espaço infantil do evento. “Eu amei o CNMACquinho, teve lanchinho, caça ao tesouro e mistérios do Titanic. Estava tudo muito legal”, disse.

O CNMAC na FGV EMAp

Para Hoppen, a  volta do evento ao Rio de Janeiro, após 40 anos, sendo sediado na FGV EMAp, foi determinante para o sucesso da edição. 

“O crescimento dos programas de pós-graduação da FGV EMAp, o compromisso da instituição em  organizar eventos de grande porte, aliado à estrutura necessária e o apelo turístico da cidade resultaram em uma CNMAC marcante”, destacou o Presidente da entidade.

Pesquisadores e estudantes lotaram auditórios e salas do CNMAC 2025 na FGV EMAp | Foto: João Arenhart/ Reach Assessoria de Comunicação

Maria Soledad Aronna, pesquisadora da FGV EMAp, e presidente da SBMAC a partir de 2026, ressaltou a importância da colaboração entre a Sociedade e a instituição carioca. Ela lembrou que, em 2023, as duas instituições já haviam organizado juntas o Latin American Congress on Industrial Mathematics (LACIAM)

“Acredito que essa parceria vai crescer porque esses eventos contribuem para o desenvolvimento da matemática industrial, que é uma área de grande interesse para ambas”, afirmou Soledad. 

Presidente da SBMAC a partir de 2026, Maria Soledad Aronna acredita que o evento reforçou da entidade com a FGV EMAp | Foto: João Arenhart/ Reach Assessoria de Comunicação

De acordo com a pesquisadora, o CNMAC 2025 foi marcado pela organização e pela satisfação dos participantes. “Os auditórios ficaram lotados, houve bastante interação entre o público e os palestrantes”, relatou a integrante do Comitê Científico do evento.

Pesquisador da FGV EMAp e coordenador local do CNMAC 2025, Paulo Amorim diz que os desafios para realização foram superados com o empenho da equipe. Ele ressaltou ainda a sintonia entre a missão da SBMAC e a instituição de ensino. “Na FGV EMAp existe um destaque muito grande para a pesquisa avançada, mas também somos ativos na formação de novos pesquisadores. Penso que isso faz parte da missão da SBMAC, que busca integrar excelência científica com formação qualificada”, completou Amorim. 

Coordenador do evento, Paulo Amorim avaliou que a Escola está ativa na formação de novos pesquisadores, alinhada com o mesmo propósito da SBMAC | Foto: João Arenhart/ Reach Assessoria de Comunicação

Mais do que olhar para o passado, o CNMAC 2025 projetou o futuro da área, reafirmando o compromisso da SBMAC de ser o elo entre ciência de excelência, formação de novas gerações e soluções para os grandes desafios contemporâneos.

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