Indexação da TCAM na Scopus, eleição da nova presidência, ampliação dos ERMACs e articulação com América Latina, Europa e China marcaram ano estratégico para a Sociedade

O ano de 2025 foi marcado por avanços institucionais, fortalecimento científico e ampliação da presença e internacional da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC). Ao longo de doze meses, a Sociedade consolidou iniciativas estratégicas em eventos, publicações científicas, articulação internacional e políticas de inclusão, ao mesmo tempo em que enfrentou desafios relevantes para a comunidade acadêmica.
Entre encontros regionais e nacionais, conquistas editoriais, posicionamentos institucionais e a transição para uma nova gestão, a SBMAC encerra o ano reafirmando seu protagonismo no cenário da Matemática Aplicada e Computacional no Brasil e projetando perspectivas promissoras para 2026.
Retrospectiva SBMAC em 2025
Um dos marcos mais relevantes do período foi a indexação da revista Trends in Computational and Applied Mathematics (TCAM) na base Scopus, da Elsevier, resultado de um processo de consolidação editorial que atravessou diferentes gestões. Para o atual presidente da SBMAC, Carlos Hoppen, que encerra seu mandato no fim do mês, a conquista simboliza maturidade institucional e compromisso com a ciência aberta.
“A indexação pela Scopus é fundamental para que a TCAM seja competitiva sob critérios bibliométricos internacionais. É um orgulho que isso tenha sido feito sem mudar o caráter de revista de acesso aberto e sem custo para os autores”, destaca Hoppen, que atua como professor do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Ainda no campo editorial, 2025 foi marcado pela adoção de políticas mais rigorosas pela Computational & Applied Mathematics (COAM) e pela TCAM no combate a publicações predatórias, alinhadas às recomendações da União Matemática Internacional (IMU) e o Conselho Internacional de Matemática Industrial e Aplicada (ICIAM).
A iniciativa reforça a preocupação da SBMAC com a integridade científica em um cenário global cada vez mais competitivo e impactado pelo uso de inteligência artificial (IA).
Eventos, prêmios e atuação nacional
No decorrer do ano, a SBMAC apoiou 27 eventos nas áreas de Matemática Aplicada e Computacional, um número recorde, que evidencia a amplitude de sua atuação, com destaque para o 44º Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional (CNMAC), realizado na Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV EMAp), em setembro.
O evento foi palco da 4ª edição do Prêmio Elon Lages Lima, além dos prêmios Beatriz Neves, Clóvis Caesar Gonzaga (Mestrado) e Marco Antônio Raupp (Doutorado). “A SBMAC tem uma tradição histórica em valorizar vários aspectos da atuação de pesquisadores, docentes e estudantes. O Prêmio Beatriz Neves, por exemplo, reconhece a Iniciação Científica, que muitas vezes é o primeiro contato do estudante com a pesquisa”, diz Hoppen. Ademais, o presidente da SBMAC ressalta que as premiações também cumprem o papel fundamental para além da comunidade científica. “A outorga de prêmios gera divulgação e faz com que pessoas que não fazem parte da comunidade ouçam falar da pesquisa em Matemática Aplicada e Computacional e reconheçam a sua importância. Além de aumentar o prestígio da área, isso também pode contribuir para atrair jovens para estudos em tópicos relacionados”, relata.
Os Encontros Regionais de Matemática Aplicada e Computacional (ERMACs) também tiveram papel central na interiorização da Matemática Aplicada. Em 2025, o encontro retornou a regiões após longos intervalos, como Porto Alegre (RS), depois de uma década, e o Paraná, após 16 anos. Também ocorreram edições em Lavras (MG), Alegre (ES) e Juazeiro do Norte (CE), todos gerenciados pela SBMAC. De acordo com Hoppen, os ERMACs são realizados em cidades com menor apelo turístico e por isso, têm custo mais reduzido, ampliando as oportunidades de participação na comunidade científica. “É comum termos ERMACs com mais de 100 participantes”, observa. “Isso faz com que, ao todo, o número de pessoas que participaram dos ERMACs seja próximo, ou até superior, ao número de participantes do CNMAC”, revela.
Hoppen considera que o número recorde de eventos apoiados em 2025 reflete o compromisso da Sociedade com a diversidade e a capilarização da área. “Acredito que a participação em eventos é uma das atividades fundamentais para estabelecer contatos e realizar uma pesquisa de qualidade. Além disso, a possibilidade de participar de eventos é um aspecto atraente da carreira de um pesquisador ou pesquisadora. Sendo assim, é fundamental que a SBMAC possa colaborar para que mais eventos sejam realizados”, enfatiza.
Posicionamentos institucionais e memória da comunidade
A SBMAC também teve atuação destacada no debate público. Em março, a Sociedade assinou, junto à Sociedade Brasileira de Matemática (SBM) e à Associação Brasileira de Estatística (ABE), uma Carta à Comunidade Matemática manifestando preocupação com a possível redução da representatividade feminina no CA-Matemática e Estatística do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Para Hoppen, o posicionamento reflete uma política institucional consistente.
“Consideramos fundamental apoiar a presença feminina em ambientes com destaque e influência decisória, como é o caso do CA do CNPq, que exerce papel importante na definição de políticas de área”, afirma.
O ano também foi marcado por perdas significativas para a comunidade científica, como os falecimentos de Jacob Palis, Martin Tygel, ex-presidente da SBMAC, e Sergio Muniz Oliva Filho, lembrados pela contribuição à Matemática brasileira.
Internacionalização e preparação para 2026
No campo internacional, 2025 foi decisivo para a consolidação e o anúncio de encontros conjuntos com China e México, além do acompanhamento da organização do 2º Congresso Latino-Americano de Matemática Industrial e Aplicada (LACIAM). O evento será realizado no Chile, em janeiro de 2026. Em outubro, a SBMAC também confirmou que o 3º Encontro Conjunto Brasil–China ocorrerá no Delta do Parnaíba (PI), em agosto de 2026.
Eleita presidente da SBMAC para o biênio 2026–2027, Maria Soledad Aronna avalia que os avanços de 2025 criaram um cenário favorável para a próxima gestão. “A Sociedade encerra 2025 muito fortalecida. Vamos continuar avançando na internacionalização e na melhoria da qualidade científica dos eventos e das publicações”, projeta a professora da FGV EMAp.
Entre as prioridades da nova Diretoria estão o fortalecimento da COAM, assim como ampliar as conquistas da TCAM e demais publicações da SBMAC. Soledad também projeta o aumento da inserção internacional por meio de eventos bilaterais com países como França, Itália, Argentina e China, e a continuidade do apoio aos ERMACs como ferramenta estratégica de formação e difusão científica no país.
“O ERMAC tem uma dimensão geográfica muito importante. São eventos fundamentais para os estudantes do interior e para fortalecer a Matemática Aplicada em todo o Brasil”, ressalta Soledad, que será a segunda mulher a presidir a SBMAC desde a sua fundação, em 1978.
Inclusão, juventude e perspectivas
A atualização do estatuto da SBMAC, aprovada em janeiro de 2025, ampliou categorias de associação e buscou aproximar jovens pesquisadores da Sociedade. Para a próxima gestão, o desafio será aprofundar esse processo e manter o crescimento sustentável da área.
Outro eixo central seguirá sendo a promoção da participação feminina, com iniciativas como o Ada Lovelace Day, realizado em 2025 durante a Jornada Latino-Americana de Oficinas em STEM para Meninas, e a ampliação da presença de mulheres em eventos, comitês e premiações.
Ao olhar para o futuro, Soledad deixa uma mensagem de articulação e abertura à comunidade: “Queremos que a SBMAC consiga atrair todas as pessoas que fazem Matemática Aplicada no país e articular essas colaborações com o resto do mundo”.
Com um ano marcado por consolidação, memória, posicionamento institucional e planejamento estratégico, a SBMAC encerra 2025 reforçando seu papel como referência na Matemática Aplicada e Computacional no Brasil e na América Latina — e projetando novos desafios e oportunidades para 2026 e além.