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Entre grafos, ensino e ciência: a trajetória de Renata Del-Vecchio na SBMAC

Professora da Universidade Federal Fluminense, Renata encontrou na Sociedade um espaço de integração, divulgação científica e construção coletiva da Matemática Aplicada no país

Entre 2008 e 2012, Renata assumiu por mais de uma vez a coordenação da Regional Rio–Espírito Santo da SBMAC | Foto: Leonardo Zacarin/SBMAC

Na vida de Renata Del-Vecchio, a predileção pela Matemática e a vocação para a docência surgiram cedo. Ainda na escola, ela já se destacava como aquela colega versada nos números e fórmulas, que volta e meia se tornava tutora dos amigos. “Quando alguém não ia muito bem ou ficava em recuperação, me lembro que o professor dizia para alguns colegas: ‘Estuda com a Renata!’ e colocava a pessoa para fazer alguns exercícios comigo. Então, de certa forma, já foi quase uma experiência como professora, desde novinha”, recorda.

Nascida em Niterói (RJ), a docente se manteve fiel às suas raízes. Criada, formada e até hoje atuando profissionalmente na cidade fluminense, ela viveu uma infância tranquila ao lado do pai, da mãe e do irmão. Sua formação básica ocorreu em um colégio de período integral, marcado por uma proposta pedagógica ampla e experimental. “Além do currículo normal, a gente tinha artes, teatro, manualidades, trabalhava com argila, tinha muitas outras coisas. Foi uma escola importante, porque eu fiquei lá desde o antigo exame de admissão, aos dez anos, até o final do Ensino Médio, chamado de científico na época”, afirma.

Neste momento, as ciências exatas lhe brilharam os olhos: “Eu sempre gostei de Matemática, desde pequena. Era uma das disciplinas em que eu tinha mais facilidade e prazer.” O interesse pelos cálculos vinha acompanhado de algo que se tornaria central em sua vida profissional: a vontade de ensinar. “Sempre tive essa coisa de estudar junto com os colegas e explicar a Matemática, que para muita gente é algo mais estranho. Eu gostava de estar ali estudando, fazendo os exercícios, mas também gostava dessa parte de tentar ensinar”, relembra. 

O início da carreira e a guinada para a Teoria Espectral de Grafos

Renata ingressou na Universidade Federal Fluminense (UFF) em 1978, onde cursou simultaneamente o bacharelado e a licenciatura em Matemática. Já no início da graduação, teve contato com projetos de pesquisa, e a carreira acadêmica passou a se desenhar de forma natural. Por recomendação de seus professores, seguiu para o mestrado e o doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Nesse percurso, escolheu a Análise Funcional como área de pesquisa, movida tanto pela afinidade com o tema quanto pela identificação com seu orientador. “Logo depois do doutorado, continuei fazendo pesquisa junto com ele e com uma colega que também se formou logo depois de mim. Nós estudávamos e fazíamos pesquisa juntos, mas éramos basicamente nós três. Era uma área que não tinha muita gente aqui para interagir. Senti necessidade de buscar mais, de ter um grupo de pesquisa maior”, conta.

Em meados dos anos 2000, um encontro decisivo redefiniu sua trajetória acadêmica. Durante um café, através de uma conversa informal,  a professora Nair Abreu, da UFRJ, lhe apresentou um novo universo de pesquisa: a Teoria Espectral dos Grafos – área na qual a Nair foi pioneira no Brasil. “Começamos a fazer seminários, e eu migrei completamente para essa nova área. Foi aí que eu realmente me fixei como pesquisadora. A maior parte das minhas publicações e orientações são dessa área, onde eu estou até hoje”, conta.

Desde então, Renata é professora de sua alma mater, a Universidade Federal Fluminense, onde iniciou a docência ainda no final do mestrado. Na instituição, atua na Pós-Graduação em Matemática e em Engenharia de Produção. Eventualmente, também participa da Pós-Graduação em Economia, na qual colabora há muitos anos como docente.

A relação com a SBMAC

A Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) entrou na vida de Renata de forma gradual e orgânica. Segundo a docente, já faz tanto tempo que ela sequer consegue identificar com precisão o momento exato desse primeiro contato – mas certamente aconteceu em algum Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional (CNMAC). Um marco importante dessa trajetória foi o CNMAC de 2007, quando Renata, ao lado de Nair Abreu e outra professora da UFF, ministrou um minicurso de introdução à Teoria Espectral de Grafos.

Para viabilizar o minicurso, o trio escreveu um livro para a coleção Notas em Matemática Aplicada. “Esse livro foi importante porque tentamos fazer um texto acessível, em português, para iniciantes. Dar esse minicurso foi fundamental para divulgar essa área. A Nair que começou com essa área no Brasil, antes dela praticamente não tinha ninguém. Foi um marco na divulgação”, explica a docente.

A partir daí, sua atuação na SBMAC se intensificou. Entre 2008 e 2012, Renata assumiu por mais de uma vez a coordenação da Regional Rio–Espírito Santo da Sociedade. “Nessa função, organizei dois ERMACs: um em Niterói, na UFF, e outro em Petrópolis, com a Sandra Malta, no LNCC”, relata. Nos anos seguintes, seguiu contribuindo ativamente com a entidade, integrando comissões julgadoras de melhor tese de doutorado, comitês científicos, voltando a ministrar o mesmo minicurso e participando de diversos minissimpósios da área em diferentes edições do CNMAC

Os olhos para o futuro

Renata acompanha de perto o crescimento da SBMAC ao longo dos anos e destaca a consolidação da entidade. “A Sociedade se tornou relevante no cenário nacional e internacional ao trazer publicações de referência e ampliar a abrangência das áreas contempladas”, afirma. Ela também ressalta a atuação fundamental da entidade na promoção de eventos que buscam integrar, de forma crescente, a comunidade científica.

“É muito comum a gente participar de eventos de áreas específicas, sempre com as mesmas pessoas. Esses eventos mais amplos permitem o contato com diferentes áreas, contribuem para a formação da cultura matemática e são muito importantes para os alunos, que podem apresentar seus trabalhos e descobrir muito nesses encontros”, completa.

Renata também chama atenção para o papel agregador da SBMAC em um cenário científico cada vez mais diverso e dinâmico. Para ela, a Sociedade cumpre uma função estratégica ao promover o diálogo entre diferentes vertentes da Matemática.

“Esse aspecto unificador de trazer profissionais da matemática de diversas áreas ajuda a entender melhor essas coisas novas que estão surgindo. É o momento de colocar as pessoas para conversar, de compreender melhor todas essas novidades. Você ter, além dos especialistas em áreas específicas, esse espaço de troca mais amplo, é algo que eu acho que a Sociedade realmente agrega”, avalia.

Para a docente,  sua trajetória e seu envolvimento institucional com a SBMAC decorre de seu compromisso com a ciência e com a comunidade matemática brasileira. “Me dá orgulho poder participar de forma mais ampla da ciência e da Matemática. Participar de comitês científicos, de comissões de avaliação, ter uma visão global do que está sendo feito no país e contribuir para uma sociedade científica que é da maior importância”, conclui.

Confira o 34º episódio da série Memória SBMAC:

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