Reestruturação da revista vislumbra maior participação da comunidade acadêmica das áreas de matemática aplicada, computacional e industrial

A revista Computational and Applied Mathematics (COAM) é um dos principais ativos da Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC). Criada em 1981, quatro anos após a fundação da sociedade, a publicação é responsável por selecionar e divulgar pesquisas que envolvam a área e promovam a interface com vertentes como Física, Engenharia, Biologia, Química, Ciências Sociais, entre outras. Visando aprimorar seu produto, recentemente, a COAM passou por uma estruturação, que vem ao encontro com um novo acordo firmado com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).
Para essa nova fase, a revista agora conta com a colaboração de cientistas do Brasil e do exterior em seu corpo editorial, com especialistas em diferentes áreas, como:
- Análise Matemática Aplicada;
- Teoria de Controle e Equações Diferenciais Parciais;
- Grafos e Matemática Discreta;
- Modelagem Matemática;
- Álgebra Linear Numérica;
- Otimização e Pesquisa Operacional;
- Probabilidade e Métodos Estocásticos;
- Análise Numérica.
Além disso, dezenas de cientistas atuam também na equipe editorial associada, auxiliando nessas e em outras especialidades. Ao todo, compõem o time profissionais que exercem a edição em instituições de 26 países diferentes, como China, Estados Unidos, França, Itália e Canadá, por exemplo.
Para Gabriel Haeser, Diretor Científico da SBMAC e um dos editores-chefes da COAM, a chegada desses profissionais representa um amadurecimento editorial da revista. “A Matemática Aplicada e Computacional é uma área ampla, portanto é fundamental que cada submissão seja avaliada por pesquisadores com proximidade científica real com o tema”, argumenta. Ele ainda aponta que escolher essas áreas também define a identidade científica da publicação, evidenciando para a comunidade quais as áreas estratégicas de atuação da COAM.
O acordo com a CAPES
Essa reestruturação tem como um de seus motivos uma abertura maior que a revista irá dar à publicação científica. E tal abertura acontece por conta de um acordo firmado com a CAPES em parceria com a editora Springer Nature. Com esse acordo, cientistas do Brasil poderão publicar suas pesquisas em Open Access – modelo no qual a disponibilização dos artigos ocorre sem restrição de dados – de forma gratuita, possibilitando que qualquer pessoa leia, baixe e compartilhe resultados.
Gabriel reforça o impacto que esse acordo tem para a ciência brasileira. “Esse avanço representa uma oportunidade de ampliar a visibilidade da produção científica nacional, ao mesmo tempo em que fortalece o alcance internacional desses trabalhos”, aponta. O editor-chefe ainda conclui pontuando que iniciativas como essas são essenciais para a democratização do saber científico.
Referência na área
Com mais de 40 anos de existência, a COAM é uma das principais referências no Brasil quando o assunto é divulgação científica. Atualmente, a revista faz parte do primeiro quartil da Scopus, base de dados que ranqueia com base em prestígio, visibilidade internacional e qualidade das informações. Estar no primeiro quartil significa figurar entre os 25% melhores periódicos na área.
De acordo com Gabriel, a revista apresenta indicadores em que cada artigo publicado recebe, em média, de duas a quatro citações externas. No entanto, ele relata que isso é mais uma consequência do trabalho, desenvolvido com rigor científico, cuidado editorial e fortalecimento institucional, do que um objetivo a se buscar.
Para o futuro, a COAM espera se tornar ainda mais estruturada, internacionalizada e seletiva, mas sem abrir mão de sua missão original: publicar pesquisa de qualidade em Matemática Aplicada e Computacional. Segundo o editor chefe, o novo ciclo será crucial para os caminhos que a revista tomará. “Essa nova fase deve trazer maior especialização editorial, mais clareza sobre as áreas prioritárias da revista e um esforço contínuo para atrair contribuições relevantes, tanto do ponto de vista teórico quanto computacional e aplicado”, conclui.