Localizado em Petrópolis, Santos Dumont figura entre os 100 supercomputadores mais potentes do mundo

Em Petrópolis, na serra fluminense, uma curiosa construção chama a atenção no Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC). O que era para ser somente um conjunto de containers, na verdade desponta no horizonte com um teto amarelo em formato de chapéu. A arquitetura é referência ao que dá nome ao prédio que abriga uma importante tecnologia. Trata-se do supercomputador Santos Dumont, considerado um dos mais potentes da América Latina.
A máquina foi inaugurada em 2015 e leva o nome do pai da aviação por ser uma ferramenta capaz de ‘fazer a ciência brasileira voar mais alto’ e também pela figura do aviador ser bastante conhecida na França, terra da empresa Atos/Bull, que desenvolveu suas peças. Quando surgiu, o Santos Dumont foi o primeiro supercomputador em solo brasileiro a operar em peta escala, ou seja, capaz de realizar um quatrilhão (10¹⁵ ) de operações matemáticas por segundo.
Desde então, ele passou por duas expansões, uma em 2019 e outra em 2024, aumentando seu processamento para mais de 18 petaflops – o equivalente a 35 mil computadores de mesa ou 1,5 milhão de celulares operando simultaneamente. Isso faz com que o Santos Dumont seja um dos dez supercomputadores da América Latina que integram a lista dos 500 mais potentes do mundo, sendo, até 2025, o único no país aberto à comunidade científica.
Segundo dados do LNCC publicados na Revista Fapesp em 2024, o SDumont, como também é conhecido, tinha 2000 usuários ativos e auxiliou em:
- + de 1000 artigos publicados;
- 43 livros ou capítulos de livros;
- quase 400 dissertações de mestrado ou teses de doutorado;
- 11 patentes.
Uma de suas contribuições mais significativas foi durante a pandemia de Covid-19. O supercomputador foi utilizado para o sequenciamento do genoma do SARS-CoV-2, evidenciando a origem da pandemia no Brasil, que chegou através da Europa, e também identificando a variável P.2, principal cepa que se espalhou pelo país.
Ao todo, 15 projetos relacionados à pandemia foram desenvolvidos em caráter de urgência no auge da doença. A partir deles, foi possível estudar os impactos da transmissão, o desenvolvimento de vacinas e também analisar a eficácia do isolamento social.
Antônio Tadeu Gomes, pesquisador do LNCC, destaca a relevância do supercomputador para a ciência brasileira. “Ter uma máquina como essa é motivo de imenso orgulho para nós. Temos relatos de diversos pesquisadores, de diferentes regiões do país, que, ao utilizar o Santos Dumont, mudaram a perspectiva de suas pesquisas, permitindo maior alcance e impacto das mesmas”, aponta.
Visita da SBMAC
Recentemente, a SBMAC, que tem parceria com o LNCC, esteve em Petrópolis para visitar as instalações. O itinerário contou com uma passagem pelas dependências do Santos Dumont e Maria Soledad Aronna, Presidente da sociedade, pôde revisitar o supercomputador. Em sua terceira incursão, ela destaca a importância da iniciativa. “Ver uma instituição como o LNCC à frente de um projeto desta magnitude reforça a confiança na ciência brasileira”, destaca a dirigente.

Para Antônio, as parcerias com sociedades científicas facilitam o fluxo de talentos na área e qualifica o diálogo de políticas públicas de fomento à pesquisa: “No caso da SBMAC, eventos como o Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional (CNMAC) funcionam como uma vitrine onde os pesquisadores e alunos do LNCC encontram seus pares, oxigenando a pesquisa nacional”.
Finalizando, o pesquisador também ressalta o apoio que a Sociedade dá ao Encontro Acadêmico de Modelagem Computacional (EAMC), evento anual organizado pelos discentes do Programa de Pós-graduação em Modelagem Computacional do laboratório.