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12 de Maio: mães e matemáticas potencializam ações da SBMAC em 2024

Dia Internacional das Mulheres na Matemática coincide com Dia das Mães neste ano e destaca ações em prol da equidade de gênero na Ciência

Desde 2018, o dia 12 de Maio celebra o Dia Internacional das Mulheres na Matemática. A data foi escolhida por ser o aniversário da pesquisadora Maryam Mirzakhani, primeira mulher a ganhar a Medalha Fields, em 2014, a maior premiação que um matemático pode receber na carreira acadêmica.

A definição da comemoração do 12 de Maio remonta ao 1º Encontro Mundial para Mulheres na Matemática, realizado no Rio de Janeiro há seis anos. O evento reuniu cientistas de todo o mundo para debater, dentre outras pautas, a questão de gênero nas Ciências Exatas.

Maryam Mirzakhani e sua filha – Foto: Wikipedia Commons

O objetivo não poderia ser outro: inspirar mulheres ao redor do planeta, celebrar suas conquistas em Matemática e estimular um ambiente de trabalho cada vez mais inclusivo, pois ainda nota-se uma escassez da presença feminina no âmbito científico – especialmente nas áreas de exatas. Desde então, a Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC) se dedica a iniciativas que buscam mudar esse cenário.

Em 2024, o 12 de Maio coincidentemente será o domingo do Dia das Mães no Brasil, o que consolida a importância da data para fortalecer a luta pela equidade de gênero e a maior participação feminina no universo científico. Há espaço para mulheres na Matemática, este lugar também às pertence, e muitas delas já tiveram o privilégio e a responsabilidade de se tornarem mães.

Maternidade & Ciência

Da preocupação com a forma como a parentalidade é tratada por quem faz Ciência, surgiu em 2016 o movimento intitulado “Parent In Science” (Pais e Mães na Ciência). Ele é formado por cientistas que resolveram encarar a missão de trazer conhecimento sobre uma questão muitas vezes ignorada no meio acadêmico. 

Professora Helenice Florentino (à esquerda) será uma das plenaristas do CNMAC 2024

A questão fundamental que norteia o PiS é o impacto dos filhos na carreira de profissionais das áreas de Ciências. A iniciativa, então, levanta dados sobre a disparidade de acesso das mães cientistas a instrumentos que lhes permitam avançar na carreira acadêmica e propõe mudanças nas políticas que ainda não levam em conta a parentalidade. 

Nos oito anos, o “Parent In Science” apresentou seminários e palestras em regiões distintas do Brasil, levantando a relação da maternidade com a carreira científica. Resultados importantes da iniciativa foram os ajustes em que editais de agência de fomento e processos seletivos passaram a considerar questões de parentalidade, além da inclusão de um campo no currículo Lattes para inserção da licença maternidade de pesquisadoras.

Depoimentos das protagonistas da história

Em 2024, o Comitê das Mulheres na Matemática Aplicada e Computacional da SBMAC organizou também uma homenagem para as protagonistas de sua história. Muitos dos depoimentos que coletamos vêm de cientistas que enfrentaram ou estão enfrentando desafios para conciliar maternidade e carreira científica.

Marilaine Colnago foi Coordenadora do Comitê das Mulheres da SBMAC de 2021 a 2023

“Sempre tive medo de ser mãe por não saber se conseguiria conciliar com a carreira. Depois que entrei no Comitê, especialmente ao entrar em contato com as várias mães do grupo, percebi que essa possibilidade existe. Fiquei bem mais tranquila, sabendo que eu não estaria sozinha e ter uma rede de apoio que me mostre que podemos conciliar as duas coisas é extremamente fundamental”, relata Marilaine Colnago, Coordenadora do Comitê de 2021 a 2023. 

Quem corrobora a visão da professora da Universidade Estadual Paulista (UNESP) é Evelise Roman Góis Freire, exatamente sua Vice-Coordenadora no Comitê das Mulheres durante a gestão passada.

Evelise Freire também aborda os desafios de equilibrar maternidade e carreira feminina

“Fiquei refletindo sobre como conciliar maternidade e qualquer carreira é um desafio e tanto, não pela maternidade por si só, mas pela falta de equidade e respeito em tantos sentidos. O apoio e o acolhimento de mães e não-mães nesta fase é o que faz toda a diferença. Isso fortalece o processo de criação de políticas públicas e ações afirmativas, ajudando a reduzir os impactos negativos  da parentalidade na ciência”, reconhece a Professora da Universidade Federal de Lavras (UFLA).

Para Fernanda De Bastiani, atual Secretária Geral da Diretoria da SBMAC, um dos maiores desafios para a cientista que se torna mãe não se apresenta em carne e osso, porém exige muito do psicológico da mulher no dia a dia pós-parto. 

Fernanda De Bastiani grávida do filho Daniel

“Acredito que um dos maiores desafios em relação à maternidade e a carreira é aprender a não sentir culpa por estar vivendo este momento e, em alguns momentos, diminuir o ritmo da pesquisa. É aprender a ignorar os comentários preconceituosos e seguir confiante nas suas escolhas. Uma rede de apoio é fundamental, assim como informações corretas sobre a maternidade. Passamos por um momento de mudanças e ter apoio de pessoas queridas, que estão prontas para dar suporte e uma palavra de incentivo é muito bom para nos mantermos serenas e confiantes”, opina a professora do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Renata Raposo Del Vecchio, professora na Universidade Federal Fluminense (UFF), se diz mais calejada em sua trajetória acadêmica após ter dado à luz a Caio e Maria. “Tive meu primeiro filho no meio do doutorado e foi um período bem difícil. Mas valeu a pena insistir e conseguir conciliar ser mãe e pesquisadora. E não posso deixar de exaltar a importância também do pai, pois o apoio do meu marido à minha carreira foi muito importante”, conta.

Professora Renata Raposo Del Vecchio e seu marido junto dos filhos Maria e Caio

Professora Titular da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Lucia Catabriga também é mais uma mamãe que não deixou os percalços da gravidez e a maternidade tirarem seu sonho na área de Ciências Matemáticas. 

Terminei meu mestrado aos 24 anos, fiz concurso, iniciei minha carreira acadêmica e casei com uma pessoa de fora da academia e já estabelecida. Tive logo dois filhos nos primeiros anos. Adiei a entrada em um programa de doutorado por sete anos. Iniciei o doutorado quando meu filho tinha cinco anos e minha filha, três. Uma reviravolta ousada, mudança para o Rio de Janeiro sem a famosa rede de apoio. Não foi fácil, mas conseguimos! Voltei três anos depois e finalizei o doutorado à distância. No ano que voltei foi necessário receber em nossa casa uma sobrinha com oito anos. E assim finalizei o doutorado com três filhos em quatro anos. Tudo valeu muito a pena! Hoje estou com 60 anos e acho que fiz as melhores escolhas que podia ter feito! Para mim a maternidade me ajudou muito a focar ao longo do tempo nos meus objetivos”, comenta.

Com uma inspiradora jornada, a professora Lucia Catabriga concluiu seu doutorado com três filhos ao seu lado

A capixaba Sandra Malta não tem filhos, é verdade, mas nem por causa disso deixa de ter sua importância na luta por mais espaço feminino na área científica. Ainda em 2018, a professora do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) foi uma das docentes que enviou a proposta de criação do Comitê das Mulheres à SBMAC e formou a coordenação da primeira gestão do grupo, de 2018 a 2021.

E a emoção de ver tantos depoimentos das colegas a faz acreditar que o objetivo do Comitê tem sido validado a cada ano. “Fiquei emocionada ao ler todos os relatos e as experiências das mães. A iniciativa foi um sucesso, não só por dar visibilidade à luta de muitas de vocês como mães e pesquisadoras quanto também por possibilitar conhecer mais de perto as histórias de vida e de vitórias de muitas do Comitê. A cada dia que passa vejo o quanto tem sido significativa e importante a presença do Comitê na Sociedade”, avalia a atual Vice-Presidente da SBMAC.

Professora Sandra Malta, atual Vice-Presidente da SBMAC, foi uma das criadoras do Comitê das Mulheres da Sociedade

Tema no CNMAC 2024

Seguindo a linha de esforços em prol da equidade de gênero e o incentivo frequente às cientistas mães, o Comitê das Mulheres da SBMAC está organizando um minissimpósio no Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional (CNMAC) em setembro, em Porto de Galinhas (PE). 
Serão duas sessões de duas horas, ambas no dia 17 de setembro, com o tema “Trajetórias em STEM e Políticas Afirmativas pelo Brasil”. Maria do Socorro Nogueira Rangel, professora da UNESP, câmpus de São José do Rio Preto, será uma das palestrantes na sessão matutina em que vai debater a necessidade de criar caminhos acessíveis e equitativos para mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, sigla em inglês).

Professora Maria do Socorro Rangel vai apresentar o tema da equidade de gênero na Ciência no CNMAC, em setembro

“Para mim, a maternidade contribuiu para aumentar o meu foco no trabalho acadêmico. Com o tempo reduzido, aprendi a aproveitar melhor os momentos. Tenho muitas histórias dessa viagem e vou compartilhar no nosso minissimpósio durante o CNMAC 2024”, promete a professora Socorro, orgulhosa por ver sua filha Ágata se graduando na área de STEM.

Na sessão vespertina, a professora Helenice Florentino, do câmpus de Botucatu da UNESP, é um dos destaques do tema “Políticas afirmativas em diferentes instituições nas regiões do Brasil”. A ideia é discutir as estratégias bem-sucedidas que garantem a eficácia e implementação de políticas que visam construir ambientes mais justos e combater a desigualdade de gênero na Ciência.

Além disso, Helenice será conferencista no CNMAC, em setembro. No dia 18, a matemática apresentará uma sessão plenária com o tema “Otimização de processos em biossistemas: Importância e Desafios”, a partir das 14h30 (horário de Brasília).

Por fim, na Assembleia do Comitê, serão apresentadas as iniciativas realizadas pelo grupo e levantadas as demandas da comunidade. A partir daí, será feito um planejamento inicial das ações que direcionarão as atividades do próximo ano de gestão do Comitê de Mulheres.

A seguir, apresentamos algumas mamães integrantes do Comitê Mulheres na Matemática Aplicada e Computacional da SBMAC que atualmente reúne mais de 130 membras. Essas mulheres extraordinárias não só se destacam em suas carreiras, mas também enfrentaram e enfrentam os desafios de conciliar a  maternidade e a carreira com coragem e resiliência, tornando-se inspiração para gerações futuras de mulheres na Ciência.

Alice Kozakevicius

Alice Kozakevicius

Diana Sasaki Nobrega

Diana Sasaki Nobrega

Milena Almeida Leite Brandão

Milena Almeida Leite Brandão

Ana Maria Luz Fassarella do Amaral

Ana Maria Luz Fassarella do Amaral

Juliana Ferreira Ribeiro de Miranda

Juliana Ferreira Ribeiro de Miranda

Daniela Renata Cantane

Daniela Renata Cantane

Claudia Pio Ferreira

Claudia Pio Ferreira

Carina Alves

Carina Alves

Vanessa Avansini Botta Pirani

Vanessa Avansini Botta Pirani

Gilcelia Regiane de Souza

Gilcelia Regiane de Souza

Francisca Andrea Macedo França

Francisca Andrea Macedo França

Cátia Quilles Queiroz

Cátia Quilles Queiroz

Clarice Dias de Albuquerque

Clarice Dias de Albuquerque

Juliana Ricardo Nunes

Juliana Ricardo Nunes

Maria Joseane Felipe Guedes Macêdo

Maria Joseane Felipe Guedes Macêdo

Maité Kulesza

Maité Kulesza

Mirela Vanina de Mello

Mirela Vanina de Mello

Dayse Haime Pastore

Dayse Haime Pastore

Cláudia de Oliveira Lozada

Cláudia de Oliveira Lozada

Cintya Wink de Oliveira Benedito

Cintya Wink de Oliveira Benedito

Ana Paula Rodrigues M. de Barros

Ana Paula Rodrigues M. de Barros

Vanessa Gonçalves Paschoa Ferraz

Vanessa Gonçalves Paschoa Ferraz

Beatriz Motta

Beatriz Motta

Juliana Verga Shirabayashi

Juliana Verga Shirabayashi

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