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30/11/2022

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Sandra Malta e a SBMAC: uma história entrelaçada

Conheça a trajetória de uma das grandes mulheres da Sociedade

Natural de Vitória, capital do Espírito Santo, Sandra Mara Cardoso Malta se formou em Licenciatura em Matemática pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Após muito pensar, cogitou o mestrado na área de Engenharia de Sistemas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em busca de um contato com aplicações matemáticas. No entanto, sua decisão foi mais além, e optou por fazer o mestrado em matemática aplicada.

Nesse tempo, conheceu o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) em um Congresso Nacional de Matemática Aplicada e Computacional, o CNMAC, tradicional evento organizado pela Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC). “Depois desse CNMAC, eu acabei indo para o LNCC e ficando lá, que é o local que trabalho até hoje. Estou lá desde 1986, pois, após o fim do mestrado, fiz o doutorado com um orientador que era pesquisador do Laboratório. A partir daí, comecei a trabalhar com fluidos e cheguei a fazer parte de um projeto de reservatório de petróleo na Petrobras que foi muito interessante. Comecei a trabalhar com coisas que ainda não conhecia”, relembra.

Sempre teve em suas veias a paixão por lecionar. Ainda que na sua profissão de pesquisadora não seja obrigatório, Sandra permaneceu com a paixão por ensinar. Quando criança, oferecia aos colegas, de forma voluntária, aulas para ajudá-los com as matérias do colégio, transparecendo desde nova sua imensa paixão pela docência. Porém, não se limitava apenas a ajudar os amigos com a matemática, mas também mergulhava em outras disciplinas, fato que quase a levou para rumos diferentes em sua profissão.

“Quando ainda estava na sexta, sétima série, eu estudava de manhã, na escola da prefeitura, e já gostava de dar aula. Eu subia na cadeira para escrever no quadro, gostava e tinha muita facilidade com a matemática, mas também dava aulas de história e química. Inclusive, cheguei a me matricular para fazer vestibular para farmácia, adorava química. Mas, como o resultado de matemática saiu primeiro, resolvi que não iria prestar o vestibular para farmácia. O que eu queria mesmo era ter prestado para engenharia química, mas precisaria me mudar para a cidade de Viçosa, em Minas Gerais, e minha mãe me proibiu. Entrei na faculdade muito nova, com apenas 16 anos, então precisava da autorização dos meus pais para minhas decisões”, conta.

Primeiro contato com a SBMAC

A história de Sandra começou a se cruzar com a SBMAC em 1982. Enquanto estava na faculdade, ouviu falar sobre um CNMAC que seria realizado em João Pessoa, na Paraíba. Em busca de angariar fundos para conseguir comparecer, ela, ao lado dos demais estudantes da UFES, organizava festas para juntar dinheiro suficiente para viajar ao Congresso. 

“Em Vitória, fizemos o que todo estudante faz: organizamos festas, vendemos docinhos e afins para juntar dinheiro. A partir disso, conseguimos alugar um ônibus e nele fomos de Vitória até João Pessoa. Demoramos de dois a três dias para chegar, e, durante a viagem, minha mala foi roubada. Em uma das paradas na estrada para ir ao banheiro, comer, tomar banho, dormir e afins, furtaram as nossas malas. Só fomos notar ao chegar em João Pessoa”, revive. 

Ao chegar na capital paraibana, se hospedaram num quartel do Exército. Além da estadia para o vasto e diverso grupo de alunos da matemática dos mais variados níveis, os presentes na excursão também tinham que, pela manhã, assistir aos soldados marcharem e hastearem a bandeira brasileira. Era uma obrigação do grupo, e, nesse contexto, Sandra teve seu primeiro contato com o CNMAC e a SBMAC.

O  LNCC e a SBMAC

Por sua presença no LNCC, Sandra conheceu o professor Marco Antonio Raupp, um dos líderes do processo de emersão da Sociedade. Ele dedicou boa parte de sua carreira ao Laboratório, tendo sido pesquisador titular, diretor e vice-diretor da instituição. Praticamente no mesmo prédio em que ficava o LNCC, esteve também  na secretaria da SBMAC, e, durante esse convívio, Sandra foi responsável por diversos auxílios ao secretariado.

“Eu ajudava muito a secretaria. Ajudava as secretárias, fazia correspondências. Eu trabalhava no LNCC e tinha minha relação de trabalho com o Raupp lá dentro não apenas para o Laboratório, mas também para ajudar a SBMAC. Daí em diante, fiquei junto com a Sociedade desde então, passando a fazer parte do Conselho, da Diretoria. Atualmente, estou no Conselho desde 2018, mas já estive por lá, e também na Diretoria, em diversas outras oportunidades. Entre 2014 e 2017, fui a primeira Vice-Presidente da história da SBMAC. Minha vida sempre esteve junto da Sociedade”, explica.

Em sua trajetória, Sandra conta que já fez diversas atividades na SBMAC. Em outros tempos, não havia submissão dos trabalhos para o CNMAC, então os papers precisavam ser levados e avaliados fisicamente. Participou também da organização de diversos Congressos – um deles na sua cidade natal, Vitória, em 1994, um evento de grande porte que contemplou mais de mil participantes. 

Participação feminina na SBMAC 

Como uma das marcas da Sociedade, a participação das mulheres sempre foi um fator muito forte. Ao refletir sobre os dias atuais, um ponto destacado por Sandra foi a criação do Comitê de Mulheres na Matemática. Sob o comando de mulheres capazes e repletas de energia, o espaço feminino dentro da ciência vem sendo cada vez maior e com cada vez mais protagonismo. Sandra foi uma das mentes por trás da criação do Comitê.

“Eu acho que a SBMAC sempre me ajudou a ter um rumo, um objetivo. É como se fosse a minha ONG, é o que me faz bem. É como se eu tivesse ajudando comunitariamente as pessoas, é esse o sentimento que a Sociedade me traz. Se eu pudesse falar com a Sandra que dava aula para os amiguinhos, diria que ela estava no caminho certo. Ela estava muito feliz fazendo aquilo. Eu só avisaria que ela poderia ter estudado mais português e menos matemática”, relembra sorridente.

Entre acasos, encontros e paixões com a matemática, Sandra sempre esteve entrelaçada com a SBMAC. Em sua voz, a paixão pela Sociedade. Em sua vida, uma dedicação única e crucial para que a instituição tenha, ao longo de suas mais de quatro décadas, se tornado uma das referências no Brasil e na América Latina quando o assunto é matemática aplicada.

Pelo seu amor e pelo seu empenho à SBMAC, Sandra foi, é e sempre será, uma grande parte da memória e da história da nossa Sociedade.

Confira o terceiro episódio da série Memória SBMAC:

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